quarta-feira, 1 de junho de 2011

A dança da avó





Querida avó

A vida é uma dança. Ela nos dá a oportunidade de curtirmos e aprendermos com cada passo. Ela nos convida à harmonia e à beleza de cada movimento, mesmo quando há giros e contratempos. Às vezes, é difícil sincronizar com o grupo (mesmo que se tenha uma coreografia), outras vezes, a dança é linda a dois. Mas, tem horas que é preciso dançar sozinho, até para entender o nosso próprio corpo, a nossa alma, o ritmo que vamos seguir. Tem momentos que não há música e é preciso respeitar o silêncio, porque ele também faz parte do compasso, porque as pausas são necessárias aos movimentos.
Mesmo que não se queira dançar, que se tente fugir, se esconder debaixo da mesa ou num cantinho qualquer do salão, a dança não pára, porque ela começa ao som do nosso primeiro respiro. E mesmo que a gente tropece, erre o passo, pise no pé do parceiro, dê uns esbarrões nos companheiros ao lado, ainda assim a dança continua.
E você pode escolher morrer de medo e ficar parado no lugar para não "pagar mico", para que ninguém perceba os seus erros e tenha a impressão de que você é perfeito. Mesmo assim, há dança, com platéia, ou você sozinho no salão. O show não volta atrás, não pode parar.
Da sua dança, avó querida, ficaram tantas coisas: o cabelinho grisalho sempre bem aprumado; o vestido levianinho; o pastel feito com todo mundo ajudando no cilindro para a massa ficar bem esticada; o macarrãozinho com molho bem simples, mas que parecia todo incrementado, seu olhar carinhoso sempre com todos em casa e na rua, e um sorriso grande principalmente para as crianças. O segredinho do batonzinho com um sorrisinho para conquistar um rapaz; suas histórias de vida, o dominó e o bingo para reunir a família, sua vida de benzedeira quando muitos desacreditavam e você ia lá e levava fé, cura, esperança, inclusive sendo esteio para toda a família, porque sempre cabia mais um nas suas orações, nos seus benzimentos, no seu abraço reconfortante e acolhedor, colo preparado para todos os momentos.
De você levo a cor mais bonita e o brilho para um dia cinza.

1 comentário:

  1. Maria Lígia Pagenotto20 de junho de 2011 às 16:39

    Cris, minha amiga querida, estou tão atrasada com meus emails que só agora li este... Mas foi ótimo. Até chorei, de tão lindo... parabéns por esta produção, parabéns pela sensibilidade, pelo carinho pela avó que se foi... maravilhoso, viu? E parabéns por continuar firme na sua luta pela dança! E a gente precisa se encontrar... nossa!!!

    Beijo grande
    Lígia

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