quinta-feira, 9 de junho de 2011

Coreografia retrata universo de deficiente visual







Um dos exercícios praticados em algumas aulas é dançar de olhos fechados para aprender a se entregar à música e perceber os outros sentidos. Baseado em pesquisas sobre o mundo das crianças cegas e nas percepções do não-ver, o coreógrafo potiguar Clébio Oliveira encena em Berlim, na Alemanha, o seu espetáculo Milchstrasse (Via Láctea), ao lado da argentina Mercedes Appugliese.
Ele explora na apresentação o universo de sons, sentidos, dependência e sombras que envolvem as pessoas que não podem ver. Antes de montar a apresentação, Clébio passou uma semana visitando o Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, onde pôde observar e interagir com deficientes visuais. Seu foco eram principalmente as crianças e os processos de aprendizado e comunicação. "Queria fazer um trabalho em cima de quem não pode ver, principalmente as crianças. O mundo infantil tem um colorido diferente e muito rico. Tento colocar sempre esse universo no meu trabalho", diz Clébio.
Ele se inspira na Via lactea quando aborda a vida de deficientes visuais. "Alguns cegos têm sensibilidade para o claro e o escuro, outros que chegaram a enxergar por um tempo se lembram de cores e formas. Um dos deficientes me chamou a atenção porque via pontos de luz como estrelas. Essa mistura do negro com luzes e uma névoa colorida é a imagem da Via Láctea", diz.
Antes de investir em sua carreira de coreógrafo, Clebio Oliveira trabalhou na companhia de Deborah Coker, no Rio de Janeiro.

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